Quais Impactos Tributários Sobre o Fim da Escala 6×1 e a Redução da Jornada de Trabalho?

A redução da jornada de trabalho e a eventual adoção obrigatória da escala 5×2, com o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados por um de descanso) podem gerar custos adicionais para as empresas, inclusive de natureza tributária e previdenciária.

Entretanto, é importante distinguir os tributos que incidem sobre a folha de pagamento dos custos trabalhistas decorrentes da necessidade de reorganizar as jornadas.

O principal ponto é que, se a empresa precisar manter o mesmo nível de produção ou atendimento com menos horas de trabalho por empregado, poderá ter de contratar novos funcionários, pagar horas extras quando legalmente permitidas ou reorganizar turnos.

Essas medidas podem elevar a folha de pagamento e, consequentemente, os encargos incidentes sobre ela.

1. Quais custos adicionais podem surgir?

A Emenda Constitucional 141/2026 estabelece a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial nominal, e prevê dois dias de repouso semanal remunerado. A mudança, por si só, não cria um novo tributo empresarial.

Os aumentos de custos tributários, trabalhistas e sociais podem ocorrer das seguintes formas:

EncargoPossível impacto para a empresa
INSS patronalAumenta se houver crescimento da folha sujeita à contribuição.
RAT e contribuições a terceirosPodem aumentar se a base de cálculo da folha crescer, conforme o enquadramento.
FGTSPode aumentar se houver contratação de empregados ou elevação da remuneração. É encargo trabalhista, não tributo em sentido estrito.
Horas extrasPodem elevar a remuneração e os encargos incidentes sobre essas verbas.
Novas contrataçõesPodem aumentar a folha e os respectivos encargos previdenciários e trabalhistas.
Vale-transporte e benefícios por dia trabalhadoPodem variar conforme a política de benefícios e as regras aplicáveis.

Esses efeitos dependem da forma como cada empresa reorganizará suas operações.

2. Impacto conforme o regime tributário

Simples Nacional

Empresas que recolhem a contribuição patronal previdenciária dentro do DAS, em regra, podem ter aumento indireto da carga se a folha crescer e forem necessárias novas contratações. Empresas do Anexo IV recolhem a contribuição patronal previdenciária fora do DAS. Dependendo do anexo e do Fator R, mudanças na folha também podem afetar a alíquota efetiva.

Lucro Presumido

Não há aumento automático de IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS simplesmente pela redução da jornada. Entretanto, o INSS patronal e outros encargos incidentes sobre a folha podem crescer se houver aumento da remuneração ou do número de empregados.

Lucro Real

O efeito sobre os encargos da folha é semelhante ao do Lucro Presumido. Porém, o aumento dos gastos operacionais dedutíveis poderá reduzir o lucro tributável, observados os requisitos legais, com reflexo no IRPJ e na CSLL.

Como Definir o Código cClassTrib de Cada Produto ou Serviço

O cClassTrib (Código de Classificação Tributária do IBS e da CBS) é utilizado para indicar o tratamento tributário aplicável a cada item da operação, conforme a legislação da Reforma Tributária.

A classificação deve considerar não apenas o produto ou serviço, mas também a natureza da operação e o fundamento legal que determina sua tributação.

O código é informado junto com o CST-IBS/CBS nos documentos fiscais eletrônicos aplicáveis.

Como classificar corretamente

1. Identifique o produto ou serviço

Para mercadorias, confira a descrição comercial e a NCM. Para serviços, identifique a atividade efetivamente executada e, quando aplicável, a NBS.

2. Determine a regra tributária

Verifique se a operação está sujeita à tributação integral, redução de alíquota, isenção, imunidade, diferimento ou outro tratamento previsto na legislação.

3. Consulte a tabela oficial do cClassTrib

Localize o código cuja descrição e fundamentação legal correspondam à operação. Confira os indicadores de utilização e a vigência do código.

4. Valide o CST e o cClassTrib em conjunto

Os três primeiros dígitos do cClassTrib correspondem ao CST-IBS/CBS. A combinação precisa ser compatível com o tratamento tributário aplicável.

A tabela oficial pode ser consultada no Portal Nacional da NF-e — Documentos e tabelas, na seção “Diversos”, procurando por “Tabela de Código de Classificação Tributária do IBS e CBS”. Confira sempre a versão vigente.

Importante: não existe um único cClassTrib correto para todas as vendas de uma empresa. Itens semelhantes podem exigir classificações diferentes conforme a operação, a destinação e as regras legais aplicáveis.~

Confuso com a Reforma Tributária? Acesse os tópicos do Guia Tributário Online!

MEI em 2027: Aumento do Limite e Demais Mudanças Aprovadas pela Câmara Dependerão de Tramitação no Senado

As mudanças previstas para 2027 exigem atenção dos Microempreendedores Individuais (MEIs), principalmente em relação à Reforma Tributária, às obrigações fiscais e aos limites de enquadramento.

É importante separar as regras já aprovadas e com vigência prevista para 2027 das propostas que ainda dependem de aprovação ou regulamentação. Nem toda notícia sobre mudanças no MEI significa que a regra já está valendo.

Nota: após a a data desta postagem, em 21.10.2026 foi publicada a Lei Complementar 238/2026, alterando as normas do Microempreendedor Individual (MEI), incluindo aumento do limite de receita bruta, ampliação do número de empregados permitidos e remissão de dívidas federais. Confira em Publicada Lei Alterando Limite de Receita e Remissão de Dívidas Fiscais do MEI.

1. Principais mudanças previstas para 2027

1. Aumento do limite de faturamento

Ainda depende de aprovação

A Câmara dos Deputados aprovou, em 14 de outubro de 2026, uma proposta para elevar o teto anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O texto ainda precisa passar pelo Senado e concluir o processo legislativo.

2. Possibilidade de contratar dois empregados

A proposta aprovada pela Câmara permite que o MEI tenha até dois empregados, observadas as condições previstas no texto, incluindo remuneração de até um salário mínimo ou o piso da categoria para cada trabalhador.

A mudança ainda depende da conclusão da tramitação legislativa.

3. Possível perdão de dívidas tributárias

O texto aprovado pela Câmara prevê anistia de dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, condicionada aos requisitos legais, incluindo a manutenção da regularidade tributária nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Não trate o benefício como automaticamente disponível antes da conclusão do processo.

4. Reforma Tributária: IBS e CBS

A transição da Reforma Tributária começa em 2026 e avança em 2027. O MEI permanece em regime simplificado, mas deve acompanhar as regras de documentos fiscais e os procedimentos aplicáveis à sua categoria. As novas regras do Simples Nacional não devem ser automaticamente interpretadas como obrigações idênticas para o MEI.

2. O que muda no pagamento mensal do MEI?

O DAS-MEI continua sujeito às regras próprias da categoria. Em regra, seu cálculo considera:

  • INSS: percentual de 5% do salário mínimo vigente;
  • ICMS: parcela fixa de R$ 1 para atividades sujeitas a esse imposto;
  • ISS: parcela fixa de R$ 5 para atividades sujeitas a esse imposto.

O valor efetivo para 2027 dependerá do salário mínimo vigente e das regras aplicáveis. O aumento do teto de faturamento, por si só, não significa aumento automático do DAS.

3. O que o MEI deve fazer agora?

  • Conferir o faturamento acumulado em 2026.
  • Verificar débitos tributários e eventuais pendências cadastrais.
  • Acompanhar a aprovação definitiva das mudanças no limite de faturamento e na contratação de empregados.
  • Manter em dia o pagamento do DAS e a entrega da declaração anual (DASN-SIMEI).
  • Acompanhar as orientações oficiais sobre IBS, CBS e emissão de notas fiscais.

Atenção: enquanto as mudanças legislativas não entrarem efetivamente em vigor, deve-se considerar o limite atual de R$ 81 mil por ano e as regras vigentes para contratação de empregados.

Veja também, no Guia Tributário Online:

Microempreendedor Individual – MEI

Alerta: Simples Nacional 2027 – Prazo para Opção Termina em 15 de Outubro

Empresas que desejam ingressar no Simples Nacional em 2027 tem prazo para formalizar a opção pelo regime, que se encerra nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026.

O período também exige atenção dos contribuintes que possuem pendências cadastrais ou fiscais capazes de impedir o enquadramento.

Confira os prazos:

  • 15 de outubro de 2026: prazo final para formalizar a opção pelo Simples Nacional.
  • 30 de outubro de 2026: prazo para regularização de pendências cadastrais ou fiscais.

Quer mais informações e atualizações do Simples Nacional? Acesse os tópicos do Guia Tributário Online:

Simples Nacional – Opção pelo Regime

Micro Empreendedor Individual – MEI

Simples Nacional – Aspectos Gerais

Simples Nacional – Cálculo do Valor Devido

Simples Nacional – Cálculo do Fator “r”

Simples Nacional – CNAE – Códigos Impeditivos à Opção pelo Regime

Simples Nacional – CNAE – Códigos Simultaneamente Impeditivos e Permitidos

Simples Nacional – CRT – Código de Regime Tributário e CSOSN – Código de Situação da Operação no Simples Nacional

Simples Nacional – Consórcio Simples

Simples Nacional – Contribuição para o INSS

Simples Nacional – Contribuição Sindical Patronal

Simples Nacional – Fiscalização

Simples Nacional – ICMS – Diferencial de Alíquotas Interestaduais

Simples Nacional – ICMS – Substituição Tributária

Simples Nacional – Imposto de Renda – Ganho de Capital

Simples Nacional – ISS – Retenção e Recolhimento

Simples Nacional – Obrigações Acessórias

Simples Nacional – Parcelamento de Débitos – RFB

Simples Nacional – Recolhimento – Forma e Prazo

Simples Nacional – Rendimentos Distribuídos

Simples Nacional – Restituição ou Compensação

Simples Nacional – Sublimites Estaduais – Tabela

Simples Nacional – Tabelas

Simples Nacional – Tributação por Regime de Caixa

Veja as Etapas da Reforma Tributária

Durante o período de 2027 a 2032 o sistema tributário nacional estará sob um regime de transição onde os novos tributos serão cobrados concomitantemente com os antigos a serem extintos, o que ocorrerá somente no final dos prazos estabelecidos.

As etapas de implementação da reforma tributária no Brasil são:

em 2027:

– início da cobrança da CBS (alíquota a definir);

– PIS/Cofins serão extintos;

– vigorará alíquota de 0,1% para o IBS;

– início da cobrança do IS – Imposto Seletivo (alíquotas ainda serão definidas);

– o IPI terá suas alíquotas reduzidas a zero, exceto em relação aos produtos que tenham industrialização incentivada na Zona Franca de Manaus;

de 2029 a 2032: período em que o IBS irá substituir gradativamente o ICMS e ISS.

em 2033: extinção completa de ICMS e ISS, com aplicação plena da alíquota da IBS.

Confira os tópicos da Reforma Tributária no Guia Tributário Online:

IBS – IMPOSTO SOBRE BENS E SERVIÇOS E CBS – CONTRIBUIÇÃO SOBRE BENS E SERVIÇOS

IBS E CBS – REGRAS DE TRANSIÇÃO – 2026

IBS E CBS – REGRAS DE TRANSIÇÃO – 2027 E 2028

IBS – OPERAÇÕES SUJEITAS AO ICMS E ISS – 2029 A 2032

IBS E CBS – RECOLHIMENTO NA LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA (SPLIT PAYMENT)

IBS E CBS – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – CADASTRO – CNPJ – EMISSÃO DF-E

IBS E CBS – SOCIEDADES COOPERATIVAS

IBS E CBS – REGIME REGULAR DE APURAÇÃO

IBS E CBS – OPERAÇÕES COM IMÓVEIS

IBS E CBS – BARES, RESTAURANTES E LANCHONETES

IBS E CBS – REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS – SERVIÇOS PROFISSIONAIS

IBS E CBS – LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS – PESSOA FÍSICA

IBS E CBS – PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE

IBS E CBS – ALÍQUOTAS

IBS E CBS – NÃO CONTRIBUINTES – REGIME OPCIONAL

IBS E IBS – REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – 60%

IBS E CBS – CRÉDITOS

IBS E CBS – EXPORTAÇÕES

IBS E CBS – ALÍQUOTA ZERO

IBS E CBS – CRÉDITO PRESUMIDO – BENS MÓVEIS USADOS

IBS E CBS – SUSPENSÃO E ALÍQUOTA ZERO – ZONAS DE PROCESSAMENTO DE EXPORTAÇÃO

IBS E CBS – ZONA FRANCA DE MANAUS – ZFM

IBS E CBS – DESONERAÇÃO DA AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL E IMOBILIZADO

IBS E CBS – ISENÇÃO

IBS E CBS – PAGAMENTOS E LIQUIDAÇÃO DE DÉBITOS

IBS E CBS – IMPORTAÇÕES

IBS E CBS – BASE DE CÁLCULO

IBS E CBS – CRÉDITOS PRESUMIDOS – RESÍDUOS SÓLIDOS

IBS E CBS – HOTELARIA E PARQUES DE DIVERSÃO E TEMÁTICOS

IBS E CBS – TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS

IBS E CBS – AGÊNCIAS DE TURISMO

IBS E CBS – FISCALIZAÇÃO – OMISSÃO DE RECEITA

IBS E CBS – TABELA CST

IBS E CBS – VENDA DE MÁQUINAS, VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS USADOS

IBS E CBS – ÁREAS DE LIVRE COMÉRCIO

IBS E CBS – COMPRAS GOVERNAMENTAIS

IBS E CBS – LOCAÇÃO, CESSÃO ONEROSA E ARRENDAMENTO DE BEM IMÓVEL – REGIME OPCIONAL

IBS E CBS – SEGUROS

IBS E CBS – INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA – PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO

IBS E CBS – PARCELAMENTO DO SOLO

IBS E CBS – DRAWBACK – SUSPENSÃO

IBS E CBS – SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

IBS – DEDUÇÃO – CUSTO DOS IMÓVEIS APROPRIADOS ATÉ 2032

CBS – CRÉDITOS DO PIS E DA COFINS

CBS – CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUES

IS – IMPOSTO SELETIVO