Será que a Inteligência Artificial vai Atrapalhar os Serviços Contábeis na Reforma Tributária?

A Reforma Tributária já é uma realidade no Brasil, e os profissionais de Contabilidade enfrentam um cenário repleto de mudanças e complexidades. Paralelamente, a inteligência artificial (IA) tem transformado diversas áreas, prometendo mais eficiência e precisão. No entanto, surge uma pergunta crucial: a IA será uma aliada ou um desafio para os serviços contábeis no contexto da Reforma Tributária?

A resposta depende de como empresas e contadores utilizam essa tecnologia, explorando seus benefícios e entendendo suas limitações.

O Papel da IA na Adaptação à Reforma Tributária

Com a simplificação e unificação de tributos como PIS, COFINSISS e ICMS, a IA surge como uma ferramenta essencial para lidar com o alto volume de dados e informações gerados pelas novas obrigações fiscais. Sistemas baseados em IA podem:

  • Automatizar cálculos complexos: garantindo maior precisão no recolhimento de tributos e reduzindo o risco de erros.
  • Gerar análises preditivas: ajudando contadores a identificarem oportunidades e riscos com base em cenários projetados.
  • Apoiar no compliance: cruzando dados em tempo real para verificar inconsistências e evitar penalidades fiscais.

Essa capacidade de automação e análise permitirá aos contadores se concentrarem em atividades estratégicas, como o planejamento tributário e a consultoria empresarial.

Desafios da IA no Setor Contábil

Apesar dos benefícios, a introdução da IA nos serviços contábeis também traz desafios que não podem ser ignorados. Entre eles:

  • Adaptação de profissionais: Contadores precisam se atualizar continuamente para compreender e utilizar as ferramentas de IA de maneira eficiente.
  • Custo de implementação: Pequenos escritórios podem enfrentar dificuldades financeiras para adotar soluções tecnológicas avançadas.
  • Riscos de dependência: A confiança excessiva em sistemas automatizados pode levar à perda de habilidades analíticas importantes para a interpretação da legislação tributária.

Além disso, as mudanças frequentes no sistema tributário brasileiro representam um obstáculo para a programação e adaptação de algoritmos de IA, exigindo monitoramento constante por parte de especialistas.

IA como Aliada Estratégica na Reforma Tributária

Quando bem utilizada, a IA pode ser uma grande aliada para os serviços contábeis, especialmente no contexto da Reforma Tributária. Veja como:

  • Otimização de processos internos: Reduzindo o tempo gasto em tarefas operacionais, como a apuração de impostos e a emissão de relatórios.
  • Maior eficiência no atendimento ao cliente: Com a IA, contadores podem oferecer soluções personalizadas e respostas mais rápidas às demandas de empresas.
  • Capacidade de escalar operações: Escritórios que atendem múltiplos clientes podem gerenciar dados com mais eficiência e aumentar sua capacidade operacional.

Além disso, a IA pode auxiliar na interpretação da legislação, fornecendo insights valiosos para que contadores adaptem seus serviços às novas regras fiscais.

O Futuro dos Serviços Contábeis com a IA

A integração da IA nos serviços contábeis não significa substituir profissionais, mas sim potencializar suas capacidades. Contadores que abraçam a tecnologia conseguem se posicionar como consultores estratégicos, oferecendo soluções mais completas e alinhadas às necessidades de seus clientes.

Com a Reforma Tributária, o uso da IA pode ser o diferencial competitivo que permitirá aos escritórios não apenas se adaptarem às mudanças, mas também prosperarem em um mercado mais exigente e dinâmico.

A inteligência artificial pode tanto ajudar quanto atrapalhar os serviços contábeis durante a Reforma Tributária, dependendo de como ela é aplicada. Investir em conhecimento, planejamento e soluções tecnológicas adequadas será essencial para que os contadores transformem desafios em oportunidades.

ESCRITO POR:  Equipe de Redação da Pigatti Contabilidade

Uma explanação teórica e prática sobre a PEC 45 - denominada

Redes Sociais Podem “Entregar” Contribuinte à Receita Federal

A Receita Federal utiliza informações de redes sociais de forma rotineira na análise e seleção de contribuintes para fins de fiscalização.

Na execução da fiscalização é muito comum que o Auditor-Fiscal analise as redes sociais para identificar bens e possíveis interpostas pessoas (laranjas) nos relacionamentos do contribuinte fiscalizado.

Já na área de seleção e programação da ação fiscal, a Receita Federal está utilizando modelos de inteligência artificial que realizam buscas na internet e incluem essas informações dentre os parâmetros para seleção do contribuinte para fiscalização (malha).

As informações de redes sociais são indícios que se somam aos diversos outros cruzamentos que os Auditores-Fiscais realizam, como informações bancárias, cartórios, veículos, declarações de fontes pagadoras, profissionais de saúde, aluguéis etc.

Trata-se de cruzamento de informações que se aperfeiçoa a cada dia com a retroalimentação dos sistemas com a experiência dos Auditores-Fiscais, bem como com a própria evolução da tecnologia.

Como informado, trata-se de mais um indício a compor o vasto conjunto de informações que a Receita Federal dispõe para cruzamento.

Estima-se que as informações de redes sociais já tenham contribuído com subsídios para o lançamento ou atribuição de responsabilidade tributária a mais de 2.000 contribuintes, com valor sonegado na ordem de R$ 1 bilhão de reais.

A identificação do real proprietário e dos bens são fundamentais para que os lançamentos tributários tenham a garantia de que serão pagos, pois estarão garantidos com os patrimônios bloqueados.

A título de exemplo, cita-se algumas situações nas quais as redes sociais foram utilizadas na execução das fiscalizações:

  • Durante a fiscalização foi identificado que o proprietário registrado no contrato social era uma interposta pessoa (laranja), entretanto tanto o laranja como o suposto real proprietário negavam possuir qualquer vínculo. Em pesquisas nas redes sociais foram identificadas fotos do laranja com o real proprietário da empresa, demonstrando seu vínculo;
  • Caso em que filho de contribuinte fala sobre viagens caras e bens do pai que serviram de subsídio para fiscalização e garantia dos Créditos Tributários;
  • Pelas redes sociais os Auditores-Fiscais identificam amigos, com quem o contribuinte se relaciona, permitindo a inclusão dos amigos nas pesquisas de grafo de relacionamentos, que facilitam a busca de laranjas e transferências patrimoniais;
  • Durante a fiscalização foi identificado que o proprietário registrado no contrato social era uma interposta pessoa (laranja). Em redes sociais, verificou-se que o laranja “dono de empresa” que faturava 100 milhões por ano, postava fotos de “churrasco na laje”, demonstrado incompatibilidade de sua situação de proprietário daquela empresa;
  • Situação em que o contribuinte assume em redes sociais ser proprietário de empresa que não está em seu nome;
  • Situação em que um motorista afirmando prestar serviço para proprietário de empresa que não aparece no quadro societário constante nos registros;
  • Caso de estrangeiro que tinha empresa em nome de laranja. Encontrado o nome da pessoa no site da família que informava que o pai fez acordo com governo de seu país para não ser preso, mas que os bens estavam em nome da mãe. Com isso, bloqueou-se os bens que estavam registrados em nome da mãe;
  • Vídeo encontrado no Youtube de festa de fim de ano da empresa em que o real proprietário se dirige aos funcionários, sendo que para Receita Federal ele se apresentava com vendedor da empresa. Esse vídeo passou a constar como um dos elementos de prova no processo de lançamento do auto de infração para caracterizar a pessoa com real proprietário da empresa.

Fonte: site Receita Federal – Adaptado pela equipe Guia Tributário

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Acréscimo Patrimonial a Descoberto

Aplicações em Planos VGBL e PGBL

Criptomoedas ou Moedas Virtuais

Deduções na Declaração Anual